O objetivo do ensaio ecotoxicológico é avaliar os potenciais efeitos que os poluentes podem causar aos organismos e ao ecossistema em que estão inseridos. Seus resultados possibilitam maior visibilidade dos potenciais efeitos das substâncias sobre o ambiente natural. Estes ensaios são realizados com organismos considerados bioindicadores, que apresentam baixa tolerância ecológica a determinadas substâncias químicas, e quando expostos a elas podem apresentar alterações fisiológicas, morfológicas ou comportamentais. Conheça melhor os tipos de ensaio e organismos utilizados nos ensaios ecotoxicológicos.

Conheça melhor os tipos de ensaio e organismos utilizados nos ensaios ecotoxicológicos.

Daphnia spp
É um microcrustáceo planctônico de água doce, que pode habitar rios, córregos, lagos e riachos. Possui natação limitada, e é considerado um consumidor primário na cadeia alimentar aquática, tendo as algas como alimento principal. Pertencente a ordem Cladocera, e popularmente conhecida como pulga d’água, a Daphnia tem seu ensaio ecotoxicológico padronizado pelas Normas da ABNT (NBR 12713:2016), sendo utilizada para avaliação da toxicidade aguda em matrizes liquidas.
Ceriodaphnia dubia
É um microcrustáceo planctônico de água doce, que pode habitar rios, córregos, lagos e riachos. Possui natação limitada, e é considerado um consumidor primário na cadeia alimentar aquática, tendo as algas como alimento principal. Pertencente a ordem Cladocera, possui seu ensaio ecotoxicológico padronizado pelas Normas da ABNT (NBR 13373:2017), sendo utilizada para avaliação da toxicidade crônica em matrizes liquidas.
Pseudokirchneriella subcapitata/Raphinocelis subcapitata
É uma microalga clorofícea unicelular fotossintetizante de água doce. São muito eficientes no armazenamento de energia solar, apresentando um rápido crescimento e, consequentemente, um aumento de biomassa considerável. Possui seu ensaio ecotoxicológico padronizado pelas Normas da ABNT (NBR 12648:2017), sendo utilizada para avaliação da toxicidade crônica em matrizes liquidas.
Skeletonema costatum
É uma microalga de origem salina, pertencente ao grupo das diatomáceas. É conhecida por causar grandes florescimentos em ambientes estuarinos sendo ótima indicadora de eutrofização. É capaz de resistir amplas variações ambientais, incluindo a salinidade, sendo considerada uma das diatomáceas mais abundantes do fitoplancton marinho costeiro. Possui seu ensaio ecotoxicológico padronizado pelas Normas da ABNT (NBR 16181:2013), sendo utilizada para avaliação da toxicidade crônica em matrizes liquidas.
Echinometra lucunter
É um ouriço do mar tropical que possui intenso potencial bioerosivo. São herbívoros, exercendo significativo controle na população de várias espécies de algas. Ocorrem em densidade bastante elevada nos costões rochosos ao longo da costa brasileira principalmente no sul e sudeste. Possui seu ensaio ecotoxicológico padronizado pelas Normas da ABNT (NBR 15350:2012), sendo utilizada para avaliação da toxicidade crônica em matrizes liquidas.
Hyalella azteca
Pertencente a ordem dos Anfipodas, a H.azteca é um crustáceo exclusivamente de água doce, podendo ser encontrada em rios, lagos, áreas úmidas e córregos. Possui hábitos herbívoros e detritívoros, alimentando-se de algas e bactérias associadas ao sedimento e às macrófitas aquáticas, além de detritos animais e vegetais em decomposição. Tem sido amplamente utilizada em ensaios ecotoxicológicos, o qual encontra-se padronizado pelas Normas da ABNT (NBR 15470:2013), para avaliação da toxicidade aguda e crônica em sedimentos e solos.
Tiburonella viscana
Pertencente a ordem dos Anfipodas, a T.viscana é uma espécie bêntica exclusivamente marinha encontrada em fundos arenosos. Nativa de ecossistemas brasileiros, é utilizada em ensaios ecotoxicológicos agudos para avaliar a qualidade de sedimentos de origem salobras e salinas. Possui seu ensaio ecotoxicológico padronizado pelas Normas da ABNT (NBR 15638:2016), sendo utilizada para avaliação da toxicidade aguda em sedimento.
Grandidierella bonnieroides
É um anfípodo bentônico encontrado em fundos moles de baias rasas, piscinas naturais e pântanos de mangue, com sedimentos de características lodosas com escassa vegetação, e também em lagoas de alta salinidade. Espécie nativa do Brasil, é conhecida como uma espécie oportunista e indicadora de poluição. Possui seu ensaio ecotoxicológico padronizado pelas Normas da ABNT (NBR 15638:2016), sendo utilizada para avaliação da toxicidade aguda em sedimentos salobros e salinos.
Danio rerio
É um peixe de água doce pertencente a família Cyprinidae, popularmente conhecido como “paulistinha” ou “zebra-fish. Originário da Índia e do Paquistão foi introduzido em diversas partes do mundo, e por apresentar alta capacidade de adaptação se disseminou em diversos países. Um peixe tropical, ovíparo e omnívora, o Danio é atualmente utilizado em diversos estudos científicos de diversas frentes, principalmente genéticos e ecotoxicológicos, devido a sua alta tolerância a alterações ambientais e sua fácil reprodução. Possui seu ensaio ecotoxicológico padronizado pelas Normas da ABNT (NBR 15088:2017), sendo utilizada para avaliação da toxicidade aguda em matrizes liquidas.
Vibrio fischeri/Aliivibrio fischeri
É uma bactéria marinha bioluminescente, gram negativa e com formato em bastonete. Amplamente encontrada em diversos locais do mundo, está sempre associada a outros animais marinhos. Com seu DNA totalmente sequenciado, é cultivada e preservada em diversas formas incluindo a forma liofilizada. Possui seu ensaio ecotoxicológico padronizado pelas Normas da ABNT (NBR 15411:2012), sendo utilizada para avaliação da toxicidade aguda em matrizes liquidas.
Mysidopsis juniae
É um microcrustáceo planctônico semelhante aos camarões. São omnívoros e podem se alimentar de pequenas partículas aderidas à superfície do corpo bem como capturar organismos planctônicos. Sua reprodução é sexuada e as fêmeas apresentam uma bolsa marsupial para o desenvolvimento dos ovos fertilizados. Esses organismos são amplamente utilizados em ensaios ecotoxicológicos devido ao seu ciclo de vida curto, sensibilidade a uma ampla variedade a tóxicos, facilidade de manuseio e cultivo em laboratório. Possui seu ensaio ecotoxicológico padronizado pelas Normas da ABNT (NBR 15308:2017), sendo utilizada para avaliação da toxicidade aguda em matrizes liquidas.